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Educação: repasses para programas estão atrasados
Comissões de Educação e do Trabalho debateram a revisão do PPAG 2012-2015, exercício 2014, no âmbito da Rede de Educação e Desenvolvimento Humano - Foto: Raíla Melo
A alimentação escolar foi debatida na reunião
A alimentação escolar foi debatida na reunião - Foto: Raíla Melo

Ações para educação e trabalho debatidos na revisão do PPAG

Participantes destacam que falta de integração entre esferas de governo dificulta continuidade de programas.

Falta integração entre as políticas públicas nas diferentes esferas de governo dificulta as ações e investimentos em educação e trabalho. Esta foi a opinião convergente exposta pelos participantes da audiência pública que a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou nesta terça-feira (5/11/13), no Teatro, com a Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social como convidada.

A atividade fez parte do cronograma de reuniões de revisão do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2012-2015 e visou a debater as ações para 2014 da Rede Educação e Desenvolvimento Humano. Ao todo, serão realizadas 11 dessas audiências em Belo Horizonte, tendo como objeto o Projeto de Lei (PL) 4.550/13 , em  tramitação na Casa.

Durante a reunião, presidida pelo deputado Duarte Bechir (PSD), que também foi o autor do requerimento para a realização da audiência, representantes das Secretarias de Estado da Educação e do Trabalho e Emprego apresentaram projetos previstos para ações do Executivo em 2014. Além das explanações dos gestores, os participantes puderam expor dúvidas e apresentar emendas ao PPAG.

Não houve apresentação de emendas. Entretanto, alguns questionamentos, de acordo com o deputado Duarte Bechir, serão analisados por consultores da ALMG e pela comissão para avaliar a possibilidade de gerarem propostas de emendas.

Educação - O superintendente de Desenvolvimento de Ensino Médio da Secretaria de Estado da Educação, Jorge Carlos de Figueiredo, fez a primeira exposição, abordando ações do Programa Educação para Crescer, que abrange projetos ligados aos temas educação e desenvolvimento, capacitação de profissionais da educação, ampliação da participação da família na escola e ampliação do tempo de permanência do aluno na escola.

Segundo o gestor, são diversos projetos, entre os quais ele destacou Educação de Tempo Integral (cuja meta é ampliar oportunidades educacionais e capacitará 3500 profissionais em 2014) e Professor da Família (que visa a ampliar a participação da família na vida escolar, sobretudo no ensino médio, reduzir a evasão, melhorar o relacionamento, além de levantar demandas para a Educação Jovens e Adultos/EJA, já prevista a visita a 15 mil domicílios em 2014).

Figueiredo abordou ainda os projetos Reinventando o Ensino Médio (que intenciona tornar mais atraente o ensino médio e tem a meta de capacitar 25 mil profissionais em 2014, além de divulgar as melhores práticas pedagógicas). Ele também falou sobre o Processo de Intervenção Pedagógica (PIP), cujas metas são distribuir cadernos de boas práticas, disseminar conteúdos básicos e efetivar o monitoramento online.

Na sequência, Leonardo Petros apresentou o Programa Pró-Escola, voltado para formação continuada dos profissionais da educação. Dentro do programa, ele enfatizou o Projeto Magistra, que já conta com uma escola, com obra em torno de R$ 11 milhões.

De acordo com o gestor, essa escola será um complexo de formação (com sala de multimeios, auditórios e afins) para capacitação dos profissionais da educação, com uma meta de 20 mil vagas a cada ano e investimentos assegurados para a realização de seminários, encontros, rodas de conversa e congresso de boas práticas pedagógicas.

Trabalho - A representante da Secretaria de Estado do Trabalho e Emprego, Lara Farah Valadares, priorizou o Programa Melhor Emprego, que objetiva gerar emprego de qualidade e ampliar a eficiência no atendimento às necessidades do mercado de trabalho, alinhando educação básica e educação profissional.

Dentro do Programa, destaque para a Rede Mineira do Trabalho, cuja meta é articular políticas públicas de trabalho e emprego no Estado, visando à oferta de serviços integrados e à excelência. Segundo Lara, o propósito é integrar processos em diversas secretarias, iniciar novo processo de atendimento (integrado) no Sine; monitorar esse modelo, desenvolver ferramentas para maior integração e ampliar a articulação das ações das políticas públicas de trabalho e emprego com outras secretarias com foco na educação profissional.

A gestora também abordou o Programa de Educação Profissional (PEP), que pretende fazer um atendimento mais regionalizado (diagnósticos regionais) e focado nos objetivos dos cidadãos, com previsão de R$ 105 milhões e 15 mil novas vagas, com credenciamento de instituições em 2014.

Falta de integração dos governos é ponto de opiniões convergentes

Deputados, gestores e participantes abordaram problemas e dificuldades decorrentes da falta de integração entre as políticas públicas nas diferentes esferas de governo. Neste ponto, a questão da alimentação escolar (de professores poderem, ou não, compartilhar a merenda das escolas com os alunos em razão sobretudo de falta de recursos) esteve em evidência.

Para Lara Farah, da Secretaria do Trabalho, é “essencial haver envolvimento da sociedade civil organizada e de diversas instâncias, como o Legislativo, numa grande união, na busca de se avançar na necessária integração das esferas estadual, municipal e federal”, alertou.

O deputado Adelmo Carneiro Leão (PT) também citou essa falta de articulação: “Os governos deveriam estar mais integrados, há mais disputas do que colaborações. Deveria haver uma verdadeira concepção de Estado”. Ele também criticou a merenda proibida a professores, ressaltando que o momento da alimentação é o de “partilhar, de mostrar companheirismo e solidariedade". "A merenda é um instrumento para ser utilizado como processo pedagógico”, avaliou. Adelmo Leão também questionou alguns projetos apresentados, ressaltando se tratarem “apenas de projetos-piloto, que atendem a poucas cidades mineiras e que para terem valor efetivo precisam ser universalizados”, concluiu.

Maria Tereza Lara também citou a questão da partilha da merenda entre profissionais e educandos, como instrumento pedagógico, de união e solidariedade, propondo que seja apresentada emenda ao PPAG para resolver a situação. Ela também destacou a importância da integração entre as ações dos governos, e de haver cobrança social, mas sobretudo com foco. “Precisamos saber o que queremos, ter um projeto maior, consciência das mudanças que de fato almejamos, e fazer isso pacificamente”, ressaltou. Para a deputada, é preciso haver uma solução, não importa qual é a esfera de governo que vai solucionar.

Além de destacar a importância da integração entre governos, o presidente da Comissão de Educação destacou as dificuldades que os administradores públicos enfrentam em razão das limitações de recursos. “Quantas vezes governantes veem um sonho virar pesadelo devido à insuficiência de verbas”, lamentou. Ele se mostrou satisfeito com as boas novas de futuros recursos que serão destinados à educação, como os do pré-sal e os royaltes da mineração (uma vez regulamentados). Duarte Bechir também destacou a qualidade da educação em Minas Gerais, citando dados do MEC, e elogiando programas e profissionais do Estado.

O deputado André Quintão (PT) prestou esclarecimentos sobre o trabalho da Comissão de Participação Popular, da qual é presidente, e a importância das emendas populares ao PPAG. Em seguida, explicou a importância desta nova dinâmica de envolvimento das demais comissões temáticas neste trabalho. Citou ainda medidas efetivadas via emendas populares, como as Escolas Família Agrícola (EFA).

Consulte o resultado da reunião.