Carlos Drummond de Andrade
Na tarde de 25 de janeiro de 2019, uma avalanche de lama e rejeitos arrastou centenas de vidas e histórias. Um ano após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, os atingidos pela tragédia ainda tentam se reerguer em meio à dor e ao desejo de justiça.
A luta permanece para que jamais sejam esquecidos os 272 mortos e as onze vítimas que ainda não tiveram seus corpos localizados.
O livro “Opção pelo risco: causas e consequências da tragédia de Brumadinho. A CPI da ALMG”, lançado em 27/9/21, homenageia as vítimas do rompimento da barragem.
Na opinião do deputado André Quintão (PT), organizador da obra e relator da CPI, o livro é uma “ferramenta de cidadania”, na medida em que compila as principais conclusões da comissão, depoimentos das vítimas e análise do cenário socioeconômico de Minas no que diz respeito à mineração.
“Não saímos do dia 25 de janeiro de 2019. Enquanto tiver um corpo na lama, permaneceremos lutando.”
Andresa Rodrigues perdeu Bruno, seu único filho, na tragédia. Ao lado do marido, passou 105 dias à procura do corpo, encontrado em 4 de maio de 2019.
Foto: Luiz Santana
“Eu sonhava em dar a meus filhos uma vida tranquila como a que eu tive aqui. Hoje eu só quero ir embora.”
Sara de Souza mora na comunidade do Córrego do Feijão, onde tinha uma papelaria. O dano financeiro foi pago com a ajuda do marido; o emocional, permanece.
Foto: Luiz Santana
“Ninguém planta mais. Muitos não têm mais entusiasmo. Eu ainda estou em busca de novos clientes.”
Gilmar de Jesus tinha uma estufa de mudas no Córrego do Feijão. A lama não deixou nem vestígios do galpão e da estufa, onde produzia mais de 1 milhão de mudas por mês.
Foto: Luiz Santana
Ao longo de 2019, a ALMG atuou na elaboração de lei mais rigorosa para licenciamentos de empreendimentos minerários, na apuração das causas do rompimento da barragem e na busca de medidas que amparem as vítimas.
A Lei 23.291, de 2019, criou a Política Estadual de Segurança de Barragens, que proibiu a construção de barragens de alteamento a montante, como era em Brumadinho, e determinou a adoção de tecnologia mais segura. A Assembleia também cobrou o cumprimento da Lei 22.796, de 2017, que obriga a destinação dos recursos arrecadados com a Taxa de Fiscalização de Recursos Minerários (TFRM) para atividades de fiscalização ambiental.
O trabalho dos parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho resultou no pedido de indiciamento da mineradora Vale e mais 13 pessoas. E, mesmo antes da criação da CPI, praticamente todas as comissões da ALMG foram mobilizadas, por meio de visitas e audiências públicas, para apoiar a população e esclarecer as causas do rompimento.